Durante quase meio século (1926-1974), o povo português foi impedido de exprimir livremente as suas opiniões políticas, económicas e sociais e os atos eleitorais realizados eram fraudulentos e tinham por base legislação e um recenseamento que afastava a grande maioria dos cidadãos do exercício do voto.
Muitas lutas foram travadas por “eleições livres”, mas só após 25 de Abril de 1974 foi possível definir e enquadrar a realização do recenseamento e das eleições.
Com dificuldades, dúvidas e diferentes opções em perspectiva, o processo eleitoral para a Assembleia Constituinte, cuja eleição se realizou a 25 de Abril de 1975, assegurou o registo de cerca de 6 230 000 pessoas (numa população de 9 093 000 habitantes) representando as mulheres 53% desse universo.
Em 1975, votaram 5 711 829 cidadãos (91,66% dos inscritos) e registaram-se 396 675 votos nulos (6,94%).
Antes de 1974 estavam inscritos para «votar» cerca de 1,8 milhões de cidadãos, cuja inscrição tinha de ser requerida às Juntas de Freguesia, não era obrigatória e era restrita aos maiores de 21 anos (ou 18 anos, desde que plenamente emancipados).
A Associação Bento de Jesus Caraça evoca esse passo decisivo na construção de um Estado democrático, abrindo um debate com duas personalidades que participaram e estudaram esse tempo e as suas circunstâncias.
